Aos 73 anos, posso, creio eu, poder falar sobre ligações entre seres humanos. Em meu consultório há 48 anos atendendo só mulheres. Todos os dias da semana, pela manhã e a tarde. Acredito já ter ouvido, interpretações, explicações e análises que me credenciam a falar sobre esse assunto.
Vamos á uma breve reflexão sobre o amor.

 

O amor Infantil ! Acontece dirigido ás pessoas que alimentam e dão segurança. Poderíamos dizer , que é o que procura preservar a vida, a integridade física. Tem como característica de sua expressão, de não atendimento, o choro! Não satisfeito ou inseguro, carente com frio, com fome ou mesmo incomodado por algum som etc, ele procura com isso, atendimento ás suas necessidades. Essa expressão pode continuar pelo resto da vida.
 

O amor Juvenil ! Um novo e tremendamente forte elemento entra aqui para ligar as pessoas; a sexualidade. De sexos diferentes ou até de mesmo sexo, aproximam as pessoas. A beleza, a posição social, a interpretação do mundo, a inteligência a sagacidade, o olhar, o cheiro, os gostos e preferências, tudo, está ligado a necessidade de perpetuação da espécie. O sexo é algo essencial. É o que nos mantém como raça. Aqui a maioria das idealizações são criadas. A ideia da eternidade do amor, a completude das almas serem eternas são essenciais para que possamos enfrentar a realidade que virá. Lembrem-se isso não se mantém para sempre
 

O amor que chamarei de Adulto! Escolhido o parceiro, vem a fase de construção, de criação e principalmente de muito trabalho. O amor dividido, o amor compartilhado, o amor do conhecimento mútuo , muito mais intenso agora . A fase em que as idealizações, de ambas as partes, enfrentam dura realidade e nos mostram que o outro é um ser, que apesar de poder ser ótimo, não corresponde a idealização que dele fizemos. Aqui alguns caminhos poderão ser seguidos dependendo de vários contextos sociais, religiosos, e materiais existentes. 
Pode-se desistir da relação e procurarmos nos complementar com outro ser.
Podemos manter nossa ligação, e até parte de nosso amor , por necessidades familiares, religiosas, ou financeiras. 

 

Podemos também reconhecer dentro de nós que nosso amor está morto, nos conformarmos com isso e continuarmos convivendo amparados em religião, filhos, família etc. 
Uma última possibilidade é investirmos em nossa ligação, não desistirmos dela, até o último de nossos dias. Ficarmos juntos e quem sabe conseguirmos ser felizes. 

 

Concluo esta pequena reflexão , achando então que o amor envelhece sim, mas isso não quer dizer que estejamos agora numa fase pior do que aquela da completude sexual ou do amor idealizado.
Estamos simplesmente envelhecendo juntos com nosso amor. É preciso compreender a mutualidade desse sentimento para que possamos conservar a felicidade. Saint –Exupéry, (me lembrou uma amiga), disse;“Foi o tempo que passaste com tua rosa que a tornou tão importante " Rubens

O amor envelhece?

Por Dr. Rubens Paulo Gonçalves